Lembro da última vez que minha mãe deixou minha casa.
Eu estava no sofá, ela saiu e quase não se despediu de mim, estavamos brigados por qualquer idiotisse adolescente.
Há muito tempo ela convivia com os sintomas que a levaram ao médico, outras visitas resultaram em remédios e motivos mal explicados, ao menos à criança que eu era. Ela nunca mais voltou.
Não me lembro quanto tempo durou, mas me dói mais que qualquer coisa no mundo lembrar de vê-la no hospital em Cachoeira, no quarto mais próximo da rua que sobe à casa de meu pai. De ir pra São Paulo e jogar talco nas costas que não mais sairiam da cama, de vê-la de cabelo curto, chorando ao nos despedir, de dizer que nunca a julguei uma mãe ruim.
E de receber a notícia no trabalho ao meio dia de uma sexta-feira de carnaval.
Eu sei que ela sofreu muito mais do que eu, sei que não sou o único a chorar por ela.
Eu daria um pedaço da mim, da minha vida pra revê-la, poder chorar no seu colo e saber se eu pude deixá-la feliz com tudo que fiz depois, e dizer que eu morro, mas eu nunca deixarei de ser filho de Gisele.
sexta-feira, 5 de setembro de 2008
sábado, 9 de agosto de 2008
Idades
Quando eu era criança queria ser jogardor de futebol, ser astronauta, ser adulto.
Adolescente, pensava na próxima festa, no próximo copo de qualquer mistura imprópria, pensava na próxima garota a ser conquistada, em quantas já haviam sido.
É engraçado como a vida passa, como as pessoas passam, como tudo um dia acaba mudando.
Lembro de quando fazia pré-escola.
Lembro de quando ganhei uma mochila de rodinhas, de como queria ter uma agenda eletrônica, de comprar milhares de figurinhas pra tentar completar um álbum.
Lembro quando ganhei meu primeiro video-game, de treinar tanto pra terminá-lo.
-------------------------------------------------------------------------------------------------
Quando eu for velho?
Serei velho e só.
Mas não serei sozinho.
Terei toda minha vida, vivida.
Cada pessoa, cada fase, cada mudança.
Serei minha tia da pré-escola,
minha mochila de rodinhas,
meu primo, os carrinhos de rolimã
e os acampamentos no quintal.
Serei junhinho bill, jujuba, minha mãe.
Cada casa que morei, cada dia sem lanche pra guardar dinheiro.
Cada partida de futebol contra a parede, cada narração à Silvio Luiz.
Serei minhas brigas na escola,
minha primeira paixão.
Serei todas as bebedeiras,
as brigas no futebol do intervalo
e as brigas pelo ventilador.
Os condensados reader's digest.
Júpiter e Hércules.
Potter e Tolkien.
Son Goku e Peter Parker.
Legião Urbana e Pearl Jam.
Rio de Janeiro, Vitória, Porto-Seguro,
Salvador, Aracaju, Maceió e Recife.
Serei Riberto, Gisele, Raul, Priscila e Júnior.
Rose, Flávio, Aline e Adriano.
Ângela e Jorge.
Dafine.
E poderei morrer, feliz.
Adolescente, pensava na próxima festa, no próximo copo de qualquer mistura imprópria, pensava na próxima garota a ser conquistada, em quantas já haviam sido.
É engraçado como a vida passa, como as pessoas passam, como tudo um dia acaba mudando.
Lembro de quando fazia pré-escola.
Lembro de quando ganhei uma mochila de rodinhas, de como queria ter uma agenda eletrônica, de comprar milhares de figurinhas pra tentar completar um álbum.
Lembro quando ganhei meu primeiro video-game, de treinar tanto pra terminá-lo.
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Quando eu for velho?
Serei velho e só.
Mas não serei sozinho.
Terei toda minha vida, vivida.
Cada pessoa, cada fase, cada mudança.
Serei minha tia da pré-escola,
minha mochila de rodinhas,
meu primo, os carrinhos de rolimã
e os acampamentos no quintal.
Serei junhinho bill, jujuba, minha mãe.
Cada casa que morei, cada dia sem lanche pra guardar dinheiro.
Cada partida de futebol contra a parede, cada narração à Silvio Luiz.
Serei minhas brigas na escola,
minha primeira paixão.
Serei todas as bebedeiras,
as brigas no futebol do intervalo
e as brigas pelo ventilador.
Os condensados reader's digest.
Júpiter e Hércules.
Potter e Tolkien.
Son Goku e Peter Parker.
Legião Urbana e Pearl Jam.
Rio de Janeiro, Vitória, Porto-Seguro,
Salvador, Aracaju, Maceió e Recife.
Serei Riberto, Gisele, Raul, Priscila e Júnior.
Rose, Flávio, Aline e Adriano.
Ângela e Jorge.
Dafine.
E poderei morrer, feliz.
domingo, 22 de junho de 2008
Única
Um baile.
Um encontro, um medo.
Um persistente, um não.
Um sim.
Apenas o começo.
Um perfil, um mensageiro.
Um encontro, um medo.
Um persistente, um não.
Um beijo.Um beijo.Um beijo.
Um sim.
Um fim, um recomeço.
Um Amo.
Única. Única. Única. Única. Única. Única.Apenas o começo.
sábado, 10 de maio de 2008
Small Town
Pensamentos e sentimentos se vão
Posses, acontecimentos e feitos são perdidos
Pessoas esquecidas, lugares fogem à memória
Podem me esquecer
Posso dizer que fui eterno
Posso dizer que amei
Perco meus olhos
Perco meus braços
Perco-me todo
Podem me esquecer
Posso dizer que fui eterno
Posso dizer que amei
Posses, acontecimentos e feitos são perdidos
Pessoas esquecidas, lugares fogem à memória
Podem me esquecer
Posso dizer que fui eterno
Posso dizer que amei
Perco meus olhos
Perco meus braços
Perco-me todo
Podem me esquecer
Posso dizer que fui eterno
Posso dizer que amei
sexta-feira, 18 de abril de 2008
AcordoPensoDurmo
Acordo quando já não consigo mais dormir
A cama não me suporta.
Há tempos não durmo tanto.
Penso em como vivia e como vivo
Penso tanto que não durmo mais.
Meu corpo não me suporta.
Há tempos que não durmo direito.
A cama não me suporta.
Há tempos não durmo tanto.
Penso em como vivia e como vivo
Penso tanto que não durmo mais.
Meu corpo não me suporta.
Há tempos que não durmo direito.
Devaneios
As cartas estão na mesa, o jogo está aberto.
Tenho um rei e uma dama de copas, juntos na minha mão.
O que dizer?
Quando não a nada a se falar.
Tudo já é conhecido.
Já foi-se o tempo, agora não é como antes.
Tudo está diferente, tão diferente.
Não escondo nada, não posso mais esconder
Cada pedaço meu está aberto pra leitura.
Uma mão procura a outra
Estão juntas quando estão tão separadas.
Corpos se misturam em uma dança.
Tenho um rei e uma dama de copas, juntos na minha mão.
O que dizer?
Quando não a nada a se falar.
Tudo já é conhecido.
Já foi-se o tempo, agora não é como antes.
Tudo está diferente, tão diferente.
Não escondo nada, não posso mais esconder
Cada pedaço meu está aberto pra leitura.
Uma mão procura a outra
Estão juntas quando estão tão separadas.
Corpos se misturam em uma dança.
domingo, 2 de março de 2008
Sem Fim, Sem Nome
Não me faça pensar que você é mais do que eu imagino
Imagino, eu penso, eu falo, não faço
Faça o que você quiser, você não pensa, não fala
anotações de caderno antigo 2
Imagino, eu penso, eu falo, não faço
Faça o que você quiser, você não pensa, não fala
anotações de caderno antigo 2
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